Com 30 anos de carreira, Vânia Bastos se une a Marcos Paiva para homenagear Pixinguinha

image007Com 30 anos de carreira, Vânia Bastos, uma das maiores cantoras do Brasil, se une ao produtor Fran Carlo e lança, em parceria com o baixista e arranjador Marcos Paiva, o “Concerto para Pixinguinha”, com clássicos como Carinhoso e Rosa e obras menos conhecidas como Samba de Fato e Mundo Melhor.

O novo álbum, lançado em show no Teatro J Safra no dia 13 de agosto, é uma homenagem a Pixinguinha e marca os 40 anos da morte do grande compositor brasileiro. Também celebra a estreia do selo Conexão Musical, do produtor Fran Carlo.

O Divercidade bateu um papo com a Vânia Bastos, que você confere agora. Clique aqui e dê play no disco para ler a entrevista ouvindo o delicioso som. Divirta-se!

Vânia Maria Bastos, Vânia Bastos, nasceu em Ourinhos (SP) e moro em São Paulo há 40 anos.

O CD “Concerto da Pixiguinha” é o resultado de um show em homenagem a Pixinguinha, que vem sendo apresentado em várias capitais do Brasil desde 2013 e marca os 40 anos da morte do compositor. Da banda participam os músicos Nelton Essi (vibrafone), César Roversi (sopros) e Jônatas Sansão (bateria).

Poderia comentar um pouco sobre como surgiu a ideia do disco, escolha do repertório e as parcerias? O grande parceiro nesse trabalho é, sem dúvida, o baixista e arranjador Marcos Paiva, com quem divide o projeto. Como conheceu o Marcos e como está sendo trabalhar e se apresentar com ele?

Vânia Bastos – Os produtores Fran Carlo e Petterson Mello me convidaram para fazer parte desse projeto deles. Convidaram primeirante Marcos Paiva para ser o arranjador e diretor musical e, em seguida, veio o convite pra mim. AMEI!!! Eles escolheram o repertório e, assim, fiquei conhecendo Marcos Paiva. Adorei seus arranjos logo de cara! Um Pixinguinha diferente!

Você é uma cantora de MPB que tem uma sólida trajetória e é reconhecida pelo afinco que escolhe seu repertório ao logo da carreira. Gostaria de saber mais sobre os primórdios da carreira artística, quando começou a ficar conhecida do grande público.

Conte um pouco sobre seu trabalho na banda Sabor de Veneno, de Arrigo Barnabé, com quem gravou discos importantes como Tubarões Voadores (1984). A partir daí se lançou e conquistou o mundo?

VB – Iniciei minha carreira ao lado de Arrigo Barnabé, na banda Sabor de Veneno, em 1980. Era a chamada Vanguarda Paulista. Estudei na USP e lá conheci Arrigo. Gravei o disco Clara Crocodilo e mais tarde Tubarões Voadores. Foram shows e discos muito importantes para mim, pois viajamos por todo o Brasil e exterior e esses trabalhos tiveram todo o respeito da crítica especializada e, também, contaram com grandes plateias em todos os lugares, embora estivessem fora das rádios e televisões. A linguagem musical era outra. Em 1986, gravei meu primeiro disco-solo e, a partir daí, considero, então, um outro início de carreira.

Em seus 30 anos de carreira, lançou mais de uma dezena de discos, alguns dedicados às obras de Tom Jobim, Caetano Veloso e à turma do Clube da Esquina. Três foram lançados no Japão e quatro na Europa. Belas e Feras, seu oitavo disco, voltado às compositoras brasileiras, rendeu-lhe uma temporada de shows, de muito sucesso em todo o país.

Seu último trabalho, ‘Na Boca do Lobo’, mostra a obra singular de Edu Lobo. Poderia falar um pouco mais sobre sua experiência fora do Brasil? Como a música brasileira de qualidade é recebida na Europa, no Japão etc. 

VB – Meus discos todos foram sim lançados também fora do Brasil, mas fiz shows em cidades da Europa com o Arrigo. Paris (em três temporadas), Berlim e Munique. Recentemente estive também em Lisboa. Grande é a receptividade em relação à nossa música, sempre!

Como é o seu processo criativo? Escolhe o repertório já pensando em um conceito para o disco ou junta as músicas com significados diversos e pensa depois na “cara” do trabalho? Você também é compositora?

VB – Não sou compositora. Cada disco tem uma história e sempre me guio pela paixão musical, pelo encaixe da voz nas músicas e pela possibilidade de fazer algo que seja gostoso aos ouvidos e, ao mesmo tempo, ousado também em arranjos, em detalhes.

image001Quais compositores admira e sempre fizeram parte de sua vida? Quem te inspirou ou inspira? Que som está ouvindo no momento?

VB – Tanta gente me inspira… UAU… Steely Dan tenho ouvido muito, Dianna Krall, Tom Jobim (sempre), Rita Bastos, Marcos Paiva (tem um belo trabalho instrumental), Speranza Spalding, Dorival Caymmi, Edu Lobo, Marina Lima, SpokFrevo Orquestra, Banda Mantiqueira… um sem fim de sons…

O que acham do momento pelo qual passa a música brasileira? As possibilidades de divulgação com a internet, redes sociais e plataformas streaming trouxeram mais liberdade? Como trabalham sua divulgação nesses veículos?

VB – A internet tem ajudado demais, pois boa parte da divulgação de um trabalho não fica na dependência mais de tocar em rádios ou TVs. Claro que isso ajuda, mas já não é mais fundamental. A divulgação está mais próxima do próprio compositor/cantor/produtor e isso faz com que se tenha sim uma maior liberdade na concepção do trabalho.

O CD, como meio físico para o desenvolvimento de um trabalho, com conceito, vem perdendo espaço para o meio digital, no qual as pessoas não têm tanto compromisso com o conjunto da obra. Muitas vezes, baixam uma ou outra música e não conhecem o todo do trabalho. Como é fazer música em um momento de fragmentação? Qual será o futuro do CD?

VB – Realmente não sei. Mas penso que sempre haverá público interessado no todo. Na obra de maneira abrangente. Gente que pensa e sente a música de uma maneira ampla. Isso não deixará de acontecer.

O que você acha sobre a situação sócio-econômica da população brasileira e do fato de sermos umas das economias mais ricas do mundo e termos a segunda pior distribuição de renda do planeta? Como o Brasil pode mudar isso?

VB – O Brasil está engatinhando ainda em vários aspectos, mas se desenvolve com rapidez. O mundo está ficando pequeno e o Brasil está ligado. Percebo que o grande problema é a corrupção nas entranhas… um desperdício e uma coisa feíssima… dá uma vergonha… então, acho que o grande desafio é aliar poder e sabedoria. O desafio dos governos. Usar o bom senso que deve vir da sabedoria, da compreensão maior do que é a vida. “Existirmos, a que será que se destina?”

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O que você pensa sobre as conquistas femininas que levaram às mulheres ao mercado de trabalho disputando em pé de igualdade um lugar ao sol com os homens? Há igualdade de fato ou ainda falta?

VB – Ainda falta muito, lógico!!! Faz pouco tempo que as mulheres iniciaram uma série de conquistas… os homens ainda estão se acostumando com a ideia. E as mulheres também, pois ainda é difícil aliar maternidade com trabalho fora de casa, por exemplo, jornada dupla, compreensão da rapaziada de que podem colaborar nos detalhes de uma casa… tudo isso… vai levar muito tempo, mas o que se conseguiu até agora é uma verdadeira façanha. Tantas coisas melhoraram, tantas mulheres maravilhosas surgiram e conquistam, a cada dia, o respeito total de todos. Na verdade, a procura do entendimento é eterna.

Jogo rápido

Filme: Cinema Paradiso (Giuseppe Tornatore)
Música: Luz do Sol (Caetano)
Livro: O Amor nos Tempos do Cólera (Gabriel Garcia Márquez)
Compositora brasileira: Rita Lee
Intérprete que faz vibrar: Gal Costa
Som internacional: Steely Dan
Um amor: Ronaldo Rayol
Uma cidade: Lisboa
Família e amigos: A glória da vida
Adoção de crianças: Salvação
Casamento entre pessoas do mesmo sexo: Normal
Tempo livre: Caminhar ou dançar
Irrita muito: Arrogância
Moda: Adaptação
Uma provocação: Ostentação desnecessária

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