Laura Finocchiaro: “sigo atenta e aberta para toda música criada com originalidade, ousadia e paixão”

Laura Finocchiaro é ariana. Isso já quer dizer tudo ou quase tudo. Significa inquietude, que ela age por impulso e com base em suas emoções. E, sobretudo, que ela se dedica de tal forma, que portas se abrem e tudo acontece. Foi assim que a porto-alegrense com apenas 21 anos veio para São Paulo para participar do Festival Boca no Trombone, em temporada no Teatro Vanguarda, e resolveu se mudar para cá definitivamente. Assim, como que por acaso, sem muito pensar.

Com 8 anos na metrópole, já fazendo parte da cena underground, se apresentando em ícones da noite paulistana, Laura recebeu uma mensagem inusitada, que acreditou ser pegadinha, por meio de um recado em sua secretária eletrônica: foi escalada para participar da fase final do “Escalada do Rock” no Rock in Rio II. Classificada entre os dois finalistas, ela se apresentou no palco do Maracanã em janeiro de 1991 abrindo o show de um grande astro, ninguém mais, ninguém menos do que Prince.

Multitalentosa, além de cantora e compositora, Laura é guitarrista, arte educadora e produtora musical. Já fez produção musical de programas de TV e ainda encontra tempo para trabalho voluntário e para a luta pelos direitos humanos. E acaba de lançar um EP – Eletrorgânica, em que faz uma releitura de canções de discos anteriores e lança uma inédita em homenagem a uma amiga jornalista recém-falecida, Suzy Capó.

O Divercidade bateu um papo virtual muito bacana com a artista e faz o convite para você embarcar nessa viagem musical. Rica e marcante! 

Laura_Finocchiaro_div_Duda_Ferreira

Laura Finocchiaro. Este é meu nome de nascimento e artístico. Quando cantei no Rock In Rio II, em 1991, troquei 3 letras de meu sobrenome. É que o “CCH”, que em italiano soa como “q”, no Brasil era confundido como “chi”… E aquilo me incomodava…Então ficou “Laura Finokiaro.” Mas logo após o festival, depois de lançar meu primeiro LP, em 1992, voltei para o sobrenome de nascimento.

Divercidade – Cidade onde nasceu e onde escolheu para viver e por que.

Laura Finocchiaro – Nasci em Porto Alegre e aos 21 anos mudei definitivamente para São Paulo. Tomei a decisão depois de ter realizado uma temporada no Teatro de Vanguarda Lira Paulistana, dentro do Festival “Boca no Trombone”, destinado a lançar novos talentos, em 1983. Montei uma super banda em Porto Alegre e fomos para São Paulo. A mini temporada teve uma ótima recepção por parte do público local e por parte da imprensa. Como consequência, recebi o convite da própria produção do teatro Lira Paulistana para fazer uma próxima temporada, dois meses depois. E então percebi que teria de ficar na cidade. Só assim conseguiria criar e montar um novo show, ao mesmo tempo em que poderia divulgar o trabalho… E assim foi. Fiquei na cidade e nunca mais voltei. Muitas portas se abriram e fui me estabelecendo. Como típica ariana, agi por impulso e emoção. E por lá vivi durante 32 anos, construindo todo meu “corpo musical” e uma trilha artística independente, formada por muito som, paixão, criatividade, atitude, dedicação, estudos e coragem.

Como foi a descoberta do seu talento musical? Houve influência da família, dos amigos? Teve algum grande mestre?

LF – Descobri o talento influenciada pela família. Minha irmã mais velha foi quem me levou para o caminho da música e da magia das artes. Na verdade, estudo música desde os 9 anos de idade e de lá para cá, nunca deixei de estudar e nestes 45 anos de estudos, encontrei e tive aula com grandes mestres com quem estudei violão popular, teoria musical, guitarra harmonia, improvisação, canto popular, cavaquinho, tecnologia em áudio, mixagem, produção eletrônica e arte-educação.

A primeira grande mestra e estrela-guia do rock, foi minha irmã Lory que foi uma grande baixista, cantora, compositora e artista gráfica. Sendo assim, como uma boa auto-didata, tive muitos mestres em todas as áreas da música e da arte, incluindo vôlei, capoeira, dança e yoga. Vou destacar alguns destes mestres que fizeram minha cabeça musical e artística: em se tratando de violão popular e harmonia, o professor “Carioca”. Guitarra, harmonia, composição e improvisação, “Mozart Mello”. Para o desenvolvimento da voz, Nancy Miranda. Na Percussão Corporal, Stênio Mendes. Percepção Musical, Aída Machado. Para o desenvolvimento em tecnologia do áudio, a escola IAV. Na expressão corporal, Ivaldo Bertazzo e no campo espiritual, Lama Michel Rinpoche.

Mas a conclusão, depois de tantos anos na estrada, é de que a verdadeira mestra é a própria Música, que é uma Deusa sagrada e que, portanto, deve ser respeitada e honrada.

Quais são suas influências musicais?

LF – Sou e fui influenciada por muitas bandas e artistas, de diversos estilos e gêneros. Sendo assim, numa retrospectiva histórica de influências, posso dizer que nos anos 60, fui influenciada pela Jovem Guarda, com Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléia, Ronnie Von, Leno e Lilian, Os Incríveis, Renato e seus Blue Caps. Ao mesmo tempo, Beatles, Rita Pavone, The Monkees, The Jackson 5.

Já nos 70, o rock de Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Bob Dylan, The Doors, enquanto que no lado nacional, fazia a cabeça com Mutantes, Rita Lee, Elis Regina, Jair Rodrigues, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque de Holanda, Jorge Ben e também influenciada pela música que vinha do Nordeste através de Fagner, Ednardo, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Amelinha, Novos Baianos, Alceu Valença, Luiz Gonzaga. Teve ainda o Clube da Esquina, ao mesmo tempo em que ouvia o rock progressivo, sendo influenciada por Pink Floyd, The Who, Genesis, Yes, Led Zepelin, Ten Years After.

E ainda nos 70, a era da “Disco Music” mexia comigo profundamente quando escutava Donna Summer, Bee Gees, Funkadelic, Glorya Gaynor, Chic, Elton John. Já nos anos 1980, fui influenciada por Nina Hagen, Talking Heads, David Bowie, Smiths, New Order, Grace Jones, Pet Shop Boys, The Pretenders, Culture Club, Prince, Madona, Eurythmics. E ainda pelos africanos Youssou N’Dour, Cheb Kaled, Miriam Makeba.

Nos anos 1990, tocaram em minhas pickups e fui influenciada por Bjork, Chemical Brothers, Fatboy Slim, The Prodigy, Underworld, Daft Punk, AIR, Jack White, Norman Cook, Roger Sanches, Bob Sinclair. Confesso que neste século XXI não tenho sofrido nenhuma influência intensa, a não ser por alguns novos gêneros como o Trap Music e pelos compositores voltados para a criação de trilha sonora para filmes, como Hans Zimmer, Danny Elfman, Craig Armstrong, Thomas Newman, Yann Tiersen, Gustavo Santaolalla, sem deixar de lembrar de Ennio Morricone, que está na estrada há décadas e que há muito me toca. São tantos talentos, tantas provocações sonoras, tantos caminhos maravilhosos, que valorizo todos e pego um pouco de cada e assim vou construindo minha música própria.

Sei que sou, estou e sigo com minhas antenas ligadas e minha escuta atenta e aberta para toda música criada e produzida com originalidade, ousadia, profissionalismo e paixão.

Como foi o início de sua carreira? Poderia compartilhar alguma história de conquista? Alguma situação engraçada?

LF – O início da carreira foi muito emocionante, vibrante e positivo. Cantava e tocava meu violão ao lado de amigos, animando as rodas dos amigos, cantando e tocando por horas a fio MPB, Rock, Brega, Pop… O que viesse. Sem nenhuma pretensão profissional, tocava e cantava livremente, até que recebi o convite de um compositor e cantor profissional local, para fazer parte de seu backing vocal. E fui. Aceitei e gostei muito! Em seguida recebi outros convites para participar de outros shows. Quando dei por mim, estava totalmente envolvida com a arte, na criação, compondo, tocando, cantando, arranjando, produzindo e fazendo parte da cena cultural da cidade. E assim acabei montando meu primeiro show solo, em 1982, que se chamava “Minha Grande Paciência, Ser Gente”.

Destacando uma destas histórias incríveis que vivi, conto uma muito especial. Era início de dezembro, do ano de 1990. Eu já morava em São Paulo e já tinha 8 anos na carreira musical. Sempre na batalha, realizando shows pelo underground cultural, em clubes e palcos diversos, quando uma noite volto para casa e escuto a secretaria eletrônica dizendo: “Alô aqui é do Rock In Rio e estamos avisando que seu trabalho foi selecionado para participar da fase final do festival “Escalada do Rock”. Caso seu trabalho seja classificado entre os dois finalistas, você apresentará seu show no “Rock in Rio II”, no palco do Maracanã, em janeiro de 1991, abrindo o show de um grande astro”… Escutei e pensei: Ué…Uma pegadinha? Um engano? Ou um milagre? O fato é que um fã – Alexandre Rossi – tinha uma fita demonstração minha, guardada em sua gaveta. Fui saber depois, que quando ele soube que as inscrições estavam abertas para o festival “Escalada do Rock”, tirou minha fita de sua gaveta e inscreveu meu trabalho no evento. E assim foi. Meu trabalho foi para os finalistas e acabei escalada para abrir o show de Prince, no “Rock In Rio II” , dia 24 de janeiro de 1991, no Estádio do Maracanã.

E a maior piada da história é que só descobri quem havia sido esse “anjo da conexão”, no dia em que cantei e venci o festival “Escalada do Rock”. Neste momento, ao final do show e da votação que me deu o segundo lugar na classificação, rodeada por jornalistas, aparece um menino jovem, com pinta de roqueiro e que me pergunta: “Por um acaso, foi você quem se inscreveu neste festival”? E eu digo: “NÃO e gostaria muito de saber quem foi…” Então Alexandre disse: “Desculpe, então foi eu mesmo quem fez a sua inscrição neste evento. E foi desta maneira que ganhei o título de “Revelacão Nacional do Rock In Rio II”. Considero esta uma história de conquista, fruto de muitos anos de dedicação, suor e trabalho na construção de minha própria música, conquistando assim, meu próprio espaço.

Sabemos que você é uma artista multitalentosa: cantora, compositora, guitarrista, arte educadora e produtora musical. Já fez produção musical de programas de TV e ainda encontra tempo para trabalho voluntário e para a luta pelos direitos humanos. Qual é a receita para ser tão ativa e criativa?

LF – Acredito que é amar o que se faz. Quando você encontra sua “veia artística” e se entrega para ela, sua criatividade passa a fluir e a roda começa a girar naturalmente. Você nem sente… Vai acontecendo, e você trabalha sem contar as horas, você se entrega a cada momento. Fica presente, vivo. E assim, nesta toada, nada se torna chato, nem pesado, nem rotineiro. Tudo vira aprendizado, tudo vira amor e alimento para seu espírito e seu corpo, porque você está livre e pleno.

Que som está ouvindo no momento? Que discos indicaria para seu fãs?

LF – No momento estou escutando Etta James cantando “Purple Rain” de Prince. Indicaria todos os que citei quando falo de minhas influências, bem como os meus próprios álbuns, em especial meu novo EP virtual “ELETRORGÂNICA”, recentemente lançado. Você pode conferir boa parte de minha obra em meu site oficial: www.laurafinocchiaro.com.br

Agora, no momento, estou escutando “Kiss”, também de Prince, na voz de Tom Jones, com produção de Art of Noise.

O que acha do momento pelo qual passa a música brasileira?

Laura_Finocchiaro_div_Carol_Oliveira_2LF – Tirando o foco do que se escuta e se executa no show busines – que não dá nem para falar uma vez que é uma música voltada para a comercialização e que domina os meios de comunicação de massa – o que vejo é um país riquíssimo musicalmente e extremamente criativo. Temos um exército musical espalhado por todo o país. Música para todos os gostos. Porém, a verdade é que a maioria se perde… Não é comercializada, não é executada, não é escutada. E acaba que ninguém conhece, e assim, milhares de artistas, grupos, orquestras se formam e se desintegram sem que ao menos tenham conseguido ter uma audiência razoável. E tudo isso ocorre porque não temos políticas públicas eficientes para abrir o espaço da comunicação no país de forma justa e democrática, permitindo assim, que o Brasil conheça seus artistas, manifestações e sua própria cara…

Infelizmente, a música que toca nas rádios e TVs abertas é, na maioria das vezes, muito pobre e maléfica para a educação e formação das crianças e, lamentavelmente, os meios de comunicação de nosso país estão nas mãos de políticos e empresários corruptos que vendem espaço, afunilam a programação e não valorizam, nem propagam a cultura do país para que ela possa se manifestar e florescer. Ou seja, vejo a história disseminando a cultura descartável e predadora para o ser humano. Mesmo assim, tenho fé no futuro, pois ainda acredito na boa fé humana!

As FMs ainda ditam quem faz sucesso ou as possibilidades de divulgação com a internet e redes sociais predominam?

LF – As FMs ainda ditam para um grande público. De massa, significativo e ativo comercialmente. Atinge uma fatia grande do público consumidor. E por isto, é uma pena que sua programação seja somente comprometida com o que é “comercial” aos “olhos” deste mecanismo de moer cultura… na real, sempre existiu e segue com tudo o velho e maligno instrumento de corrupção cultural, chamado “jabá”. Hoje, até mesmo na internet rola está prática, ou seja, tem mais espaço, mais execução e milhões de “curtidas”, quem paga mais. Ou seja, segue a regra do jogo de sempre, o sucesso de massa é comprado e muito bem calculado. Não se chega ao topo das paradas se a música não estiver dentro de um esquema. Seja ele qual for, pois existem milhares de formas de praticar o tão conhecido e interminável “jabá”.

É um momento de mais liberdade? Como trabalha sua divulgação nesses veículos?

LF – Sim. Temos espaço nas redes e isso é maravilhoso. Porém, todos sabemos que não é bem assim e vivemos a ameaça de perdermos esta liberdade nas redes. Ao menos hoje temos onde postar e temos um endereço para apresentar o trabalho. Antes da Internet era muito mais difícil. Nessa perspectiva, o espaço está democratizado. Sendo assim, propago minhas composições, trilhas, álbuns e vídeos através das redes , é claro e concentro minhas informações em meu site oficial: www.laurafinocchiaro.com.br

Em épocas de lançamentos ou shows, prefiro sempre trabalhar amparada por uma divulgadora profissional. No momento é Vivi Drumond. Considero fundamental a presença de um jornalista especializado para refinar e afinar a comunicação da proposta do trabalho.

Também estamos passando por um momento “retrô”, com a volta do vinil, por exemplo, visto como cult. Paralelamente, o streaming veio para facilitar ainda mais a distribuição pelo artista independente. Em que medida isso tem estimulado os novos artistas e também os que já tem uma carreira sedimentada a lançar novos trabalhos?

LF – Sempre amei vinil e, na verdade, em minha visão, creio que foi uma das tábuas de salvação da indústria fonográfica neste final de século. No momento em que os CDs pararam de vender – devido as novas mídias e as novas formas de transferências de dados, – o LP virou “fetiche”, uma forma de “tocar” no artista, na música. E pegou. Todo mundo gostou de escutar mais graves e mais nuances sonoras. O som voltou a esquentar! Ao mesmo tempo, com certeza, beneficiou e ajudou a segurar a indústria fonográfica que passou a reeditar álbuns históricos de astros como Madonna, Michael Jackson, David Bowie, Beatles e tantos outros. A volta do vinil resignificou estes artistas e suas obras, além de resgatar a pureza do som, dignificando a indústria fonográfica nesta época de transição de formatos de mídia e perspectivas.

Se tivesse que escolher, qual o grande artista de sua vida e por que? Um show inesquecível, onde e quando?

LF – O grande artista de minha vida é Cazuza. Cazuza porque sim. Porque foi safo, malandro, maravilhoso, humano, criativo, profundo, corajoso, um verdadeiro rock star e, além de tudo, se tornou meu parceiro, com a canção “Tudo é Amor”. Cazuza assistiu a um show que fiz no Madame Satã, e depois disso, me convidou para fazer uma parceria musical. Nasceu ‘Tudo é Amor”, que ele gravou em “Burguesia” e Ney Matogrosso gravou em seu LP “Quem Não Vive Tem medo da Morte”. Cazuza fez a diferença!

Relembrando algum show marcante, destaco o de Nina Hagen, que assisti no ano de 1985, numa danceteria chamada “Latitude 3001”, em São Paulo. Nina Hagen me impressionou porque representava a cena dos anos 80. Performance e atitude somadas a originalidade e tecnologia. Além de um timbre único, afinação precisa e uma banda sintética e pulsante, usava na sua voz um “Delay”, para desdobrar ou dobrar algumas frases sonoras, parâmetros que ela mesmo operava ao longo do show. Aquilo me impressionou e me motivou a fazer o mesmo.
Lembro que a partir daquele show, passei a enlouquecer mais e mais nos arranjos com minha banda, bem como a usar também, um delay em minha voz, nos shows ao vivo.

O seu trabalho mais recente “Eletrorgânica”, acabou de ser lançado e propõe uma mistura de ritmos e melodias regionais com o universo da música eletrônica. Como surgiu a ideia dessa mistura. É um disco para as pistas de dança?

ELETRORGANICA__LAURA_FINOCCHIARO_Arte_Cleo_MaguetaLF – Sim e não. É um álbum que pode também ser apreciado em momentos de reflexão. É um trabalho de conteúdo. Não é descartável, com certeza. O EP “ELETRORGÂNICA” surgiu da ideia de valorizar e resignificar minhas próprias canções “orgânicas”, ou seja, as gravadas acusticamente. Neste trabalho, vislumbrei reunir especialistas em música pop eletrônica para explorar as várias possibilidades no mix entre o acústico com o eletrônico, o orgânico com o sintético. Ou seja, “envenenei” minhas canções “orgânicas”, remixadas por diversos produtores musicais da cena brasileira da música eletrônica. Por isso, inventei uma palavra / conceito e batizei o trabalho de “ELETRORGÂNICA”.

Como foi o processo de escolha do repertório?

LF – Como base e inspiração para este projeto “eletrorgânico”, foram as canções “do CD chamado “Copy Paste, Música Orgânica”. Em especial, “Todo Mundo Pro Mundo”, de minha autoria e “Copy Paste”, em parceria com Maria Cleidejane Esperidião.

Depois, refinando e afinando o projeto, quando decidi que lançaria apenas virualmente, percebi que cairia bem incluir outras composições, de outros estilos, porém também com “espírito orgânico”. Inclui então uma canção inédita – “Suzy Queen” criada em parceria com a poeta Leca Machado – para homenagear a atriz, jornalista e ativista cultural Suzy Capó, falecida recentemente. E também decidi remixar uma bossa-nova-pop – “Passos” – composição dos anos 80, minha em parceria com Cilmara Bedaque e que foi gravada no CD “OI”, de 2003.

Quais são os parceiros para esse trabalho e o quanto eles contribuíram para a sonoridade do disco?

LF – Na verdade este trabalho só foi viabilizado porque somou diversos talentos e recebeu a credibilidade e a força de todos os profissionais envolvidos.  O processo durou quase dois anos, desde o momento em que decidi remixar algumas faixas “orgânicas” e explorar a sonoridade do CD de base “Copy Paste, Música Orgânica”. Fui construindo o projeto, aos poucos. Falando com cada DJ, produtor. Apresentando as faixas originais. Esperando que cada produtor escolhesse a sua… E a partir desta escolha, enviei as faixas de cada canção, com seus devidos “trks” separados. E depois aguardei que cada produtor finalizasse sua produção. Ao longo do processo gravei algumas vozes e outras aproveitei das faixas originais, bem como fui avaliando, ao lado de cada produtor o remix a ser produzido, até chegar num resultado equilibrado tanto para meu gosto, como para o do produtor musical convidado para remixar a faixa. E assim saiu o volume 01 do projeto.

Foram muitas as parcerias formadas para a realização deste projeto. Inicio a lista com os Produtores Musicais convidados: Mad Zoo, Franco Jr., João Parahyba & Apollo 9, Bruno Grandeza e Dj Cuca. E na Arte Gráfica, Cleo Magueta; na fotografia, Roberta Guimarães; na poesia Maria Esperidião, Leca Machado e J.L. Vieira e na masterização, Carlos Freitas, da Classic Master.

Finalizando, com a lista de parceiros fundamentais para o projeto, marco aqui a presença da assessora de imprensa Vivi Drumond e de Cacau Galvão no apoio de comunicação nas redes sociais. Ainda fundamental a parceria de meu selo Sorte Produções com a Tratore, que faz a distribuição digital.

“Eletrorgânica” terá uma continuidade com o lançamento de um novo disco e um LP em breve?

LF – Sim. O projeto “ELETRORGÂNICA” pretende produzir e lançar ainda este ano mais um EP virtual – bem como lançar, em formato de LP, todas as faixas produzidas nos dois volumes, para o ano de 2017.

Onde os fãs podem conferir seus shows? Quais sãos os próximos?

Os fãs podem conferir meus ábuns e shows realizados em meu site oficial: www.laurafinocchiaro.com.br, bem como no SoundCloud e também em meu canal no YouTube

…e escutar em:

Alguma informação bacana que queira compartilhar?

LF – Em breve tem videoclipe novo, da faixa “TODO MUNDO PRO MUNDO TRIBAL HOUSE MIX”, produzido por uma galera muito fera aqui do Rio de Janeiro, a “Mutante Produções”.

E aproveito para lembrar a galera que fui a compositora de vários sucessos daquele programa lindo infantil, chamado TV Colosso, nos anos 90, produzido pela TV Globo. Confira alguns dos sucessos clicando aqui.

E para os amantes de “reality shows”, lembro que fui a produtora musical responsável por toda parte musical de todas as edições da “Casa dos Artistas”/ SBT e também de “A Fazenda”/ TV Record.

E para fechar, espero que minha música e minha trajetória toque o coração e mexa com os quadris de todos que curtem o Divercidade!

Desejo sorte e muito amor para todos!

COMENTÁRIOS

Este artigo não possui comentários