DAN lança “Amber”, EP com influências rock acústico e repleto de canções tocantes

Fã inveterado de John Mayer, de Coldplay e de Los Hermanos, o cantor e compositor carioca Daniel Borges Vicente Leite, mais conhecido como DAN, acaba de lançar (hoje, dia 15/04) seu EP “Amber” em todas as plataformas de streaming.

Ele que se apaixonou pelo som do violão que aprendeu a tocar desde os 14 anos, sabia que o futuro seria não só de notas musicais, mas de canções. “Eu fui descobrindo que eu gostava mais de tocar músicas do que tocar o instrumento em si. Que o que me atrai tanto na música é poder me expressar e contar uma história que outras pessoas se identifiquem, ou emocionem de alguma forma”, diz.

Em “Amber”, DAN conta, por meio de canções leves, com pegada do rock acústico, as fases de um relacionamento com a mulher “Amber”, desde a primeira troca de olhares, até o desmonte. “Pode parecer meio triste, mas o álbum pra mim é bastante otimista, as músicas sempre deixam um sentimento de que as coisas vão ficar bem no fim”, conta.

O fim é apenas o começo. Pelo jeito de uma carreira muito bonita, em que o músico é aquele que fala sua verdade. E que toca o coração de seus fãs.

Confira agora o papo com o DAN e conheça um pouco mais sobre esse músico!

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DAN – Nasci no Rio de Janeiro, mas bem novo eu fui pra Quissamã, uma cidade bem pequena no interior do Estado, a família do meu pai é toda de lá. Com mais ou menos 10 anos eu voltei pro Rio. Acho que tem alguma coisa nessa cidade que atrai as pessoas que nasceram aqui, sempre senti que aqui era minha casa. Com todos os defeitos, ainda é uma cidade que não cansa de me surpreender e encantar. Então foi menos uma escolha, e mais ser escolhido mesmo.

Divercidade – Como foi a descoberta do seu talento musical? Houve influência da família, dos amigos? Teve algum grande mestre?

DAN – Na minha família não tem músicos, mas música sempre foi uma grande parte da família. Então eu sempre tive o costume de ouvir muita música. E com uns 14 anos, um amigo meu que tocava violão há certo tempo, vendo que tinha um violão lá em casa, daqueles que ficam passando de casa em casa na família, meio velho até, falou que iria me ensinar a tocar.

Eu lembro muito bem de ficar horas tocando os acordes de Wonderwall do Oasis. Muito provavelmente ninguém conseguiria distinguir a música no meio daquelas notas abafadas e movimentos descoordenados, mas eu ouvia a música ali e isso me empolgava muito, e desde então não parei.

E a composição veio, bem naturalmente, logo depois. Eu fui descobrindo que eu gostava mais de tocar músicas do que tocar o instrumento em si. Que o que me atrai tanto na música é poder se expressar, e contar uma história que outras pessoas se identifiquem, ou emocionem de alguma forma.

Quais são suas influências musicais?

Esse amigo só veio a me ensinar o violão por causa de um artista em particular que nós estávamos quase que obcecados na época: John Mayer. Acho que ele é a razão pra muitas pessoas começarem a tocar violão e guitarra. Foi na época do lançamento do DVD “Where The Light Is?”, e é uma obra prima. Até hoje eu ainda não sei tocar todas as músicas, mas é daquelas coisas que a gente morre tentando.

E tem muita gente, na verdade. Aqui no Brasil eu diria Los Hermanos, que apesar da banda ter parado de fazer música, quanto mais tempo passa, mais você entende. Coldplay é uma banda que admiro imensamente também, o Chris Martin é um compositor incrível.

Quando eu estava começando a tocar e a escrever, eu me identificava muito com o Tiago Iorc, que na época estava começando a carreira. E um cara que vem influenciando muito algumas das músicas que eu venho escrevendo ultimamente é o Ed Sheeran.

Como foi o início de sua carreira? Poderia compartilhar alguma história de conquista? Alguma situação engraçada?

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O pontapé inicial é sempre muito difícil. Além disso, esse meio do entretenimento e artístico sempre foi muito distante da minha realidade, o que torna especialmente difícil. Achar esses atalhos pra tocar em determinados lugares, ou até descobrir aonde tocar. Então é um trabalho de formiguinha, é lento, mas com sorte chego lá.

Lembro que a minha primeira apresentação em público foi no auditório da minha faculdade (UFRJ) num festival de talentos. Uma apresentação curta, 4 músicas, mas que foi uma experiência ótima, e eu não via a hora de tocar de novo. Então comecei a tocar em saraus e alguns bares em Botafogo que costumam dar oportunidades para o pessoal que tá começando.

Em uma dessas vezes, fui tocar num sarau da UNIRIO, na Urca, só eu e meu violão, como sempre. Iria tocar 3 músicas, todas minhas. Um sarau é a perfeita oportunidade pra isso, já que a maioria das pessoas vai pra mostrar a arte delas.  Então fui avisado que tocaria depois da banda que estava entrando pra tocar. Até aí tudo bem. Subiram no palco o que deveriam ser umas 30 pessoas… Todas com instrumentos percussivos. E começaram a tocar um repertório equivalente ao do Monobloco no carnaval. Taj Mahal, cover de Tim Maia, tudo que tinha direito. Bateu um certo nervosismo a mais, como eu poderia tocar depois desses caras? Todo mundo dançando, pulando… No auge da adrenalina no sangue, pra depois vir um cara voz e violão tocar músicas que ninguém conhece.

Com sorte, no meio do show, uma banda pediu para que adiantassem a apresentação deles, por algum imprevisto que algum membro teve, e passaram o show deles pra frente do meu. O show deles foi mais tranquilo, deu uma acalmada na galera e deu tudo certo no final. O pessoal foi até muito bem receptivo, pessoas vieram elogiar as músicas e me chamaram pra cantar num festival de compositores. Foi a primeira vez que isso aconteceu, e é um sentimento sensacional.

Que som está ouvindo no momento? Que discos indicaria para seu fãs?

Vou tentar sintetizar um pouco. Os álbuns que eu estou ouvindo agora são:

  • A Head Full of Dreams, Coldplay;
  • Everything You’ve Come to Expect, The Last Shadow Puppets;
  • Troco Likes, Tiago Iorc;
  • Sound & Color, Alabama Shakes.

Os que eu recomendo além dos que eu já falei:

  • Continuum, John Mayer;
  • Bankrupt!, Phoenix;
  • A Rush of Blood To The Head, Coldplay;
  • Ventura, Los Hermanos.

O que acha do momento pelo qual passa a música brasileira? As FMs ainda ditam quem faz sucesso ou as possibilidades de divulgação com a internet e redes sociais predominam? É um momento de mais liberdade? Como trabalha sua divulgação nesses veículos?

Acho que é um momento de transição muito bom pra música. E sim, é bem libertador. Você agora não só pode ouvir o que quiser, mas você vive o ambiente musical que quer, conhece constantemente artistas novos, e você se sente inserido até dentro da vida do artista. Então, o papel das FMs é cada vez menor, tanto na música de uma maneira geral, quanto em ditar o que é sucesso ou não. O cenário independente vem crescendo muito, e isso é muito empolgante.

Acho que o que pode fazer diferença nas redes sociais, em divulgação, é espontaneidade. Criar a proximidade com o público. Então eu tento fazer isso no Facebook, Instagram… Também tenho um canal no YouTube pra divulgação dos vídeos.

Se tivesse que escolher, qual o grande artista de sua vida e por que? Um show inesquecível, onde e quando?

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Apesar de hoje em dia ter muita gente tão importante pra mim, acho que o John Mayer pode ser considerado o mais importante justamente porque foi quem me fez pegar o violão pela primeira vez. E principalmente, por ter me feito querer melhorar e até escrever músicas. As músicas dele tiveram um papel considerável nesse processo.

Um show inesquecível pra mim, é inevitável dizer, é do Coldplay, há pouquíssimo tempo atrás. 10 de abril no Maracanã. É um dos shows mais lindos do mundo, toda a experiência. A banda é perfeita ao vivo, o domínio sobre o público, a interação, a energia, o setlist é incrível, toda a questão visual, que é sem igual com as pulseiras, os papéis, os balões, as luzes, a pirotecnia… Foi um show perfeito.

Falando um pouco sobre o lançamento de seu EP “Amber”, como foi o processo de escolha do repertório?

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É sempre muito difícil selecionar músicas. Mas “Amber” surgiu de uma ideia de criar uma unidade. As músicas conversam entre si. Trata-se de fases de um relacionamento com essa mulher “Amber”, desde a primeira troca de olhares, até o desmonte. Pode parecer meio triste, mas o álbum pra mim é bastante otimista, as músicas sempre deixam um sentimento de que as coisas vão ficar bem no fim.

Como é seu método de composição: pensa no conceito para depois compor ou o contrário?  

Varia muito. Eu gosto de pensar no conceito antes, mas é muito bom quando uma música surge muito espontaneamente, como de uma melodia que tá presa na minha cabeça durante o dia, ou de uma determinada história que inspire. E tem algumas vezes também que eu só acabo entendendo do que a música realmente trata quando termino de escrever. Então não tem receita…

Quais são os parceiros para esse trabalho e o quanto eles contribuíram para a sonoridade?

O Sérgio Duarte me ajudou a produzir o EP, então tem bastante dele também. Temos influências e estilos muito diferentes, então isso engrandece bastante. Não posso deixar de citar também alguns amigos que sempre me apoiaram bastante, e incentivaram a gravar e divulgar essas músicas, que é o pessoal da banda Café República, uma banda excepcional daqui do Rio também. Eles sempre têm alguma coisa pra indicar, desde uma banda nova a um timbre de sintetizador numa música underground. O que é muito importante na hora de produzir e arranjar uma música.

Onde os fãs podem conferir seu show? Quais sãos os próximos?

Agora eu ainda não tenho nada confirmado, ainda faltam algumas coisas pra acertar. Mas assim que eu tiver mais notícias, vai estar tudo lá na página do Facebook.

Alguma informação bacana que queira compartilhar?

O EP “Amber” sai agora 15/04. E vai estar em todas as plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Rhapsody, Soundcloud… E vai estar também na iTunes Store, na Google Play, enfim, em tudo quanto é lugar. E em breve também sairá um vídeo conceitual de Tell Me, uma versão bem intimista, acústica, tá bem legal. Todos os detalhes de lançamento e afins estarão lá na página do Facebook.

Confira Tell Me aqui:

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=1BW6BHJulAQ]

O Dan, carinhosamente, deixou seu depoimento sobre o trabalho do Divercidade. Ele falou tudo… o site é feito por pessoas que se importam com todo o processo. Veja…

Ah, eu só tenho a agradecer. É um trabalho de utilidade pública. É essencial esse espaço pra voz dessa galera que tá começando, e decide fazer da vida essa luta que é a arte independente. Muito legal isso que o Divercidade faz de aproximar e apresentar os artistas. As matérias e as entrevistas são sempre ótimas de ler e responder, as perguntas são de pessoas que realmente se importam com todo o processo. E é uma honra poder fazer parte.

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fotos por:  Luisa Mascarenhas

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