Entrevista: Caio Bars mistura rock, mpb e Bossa Nova em primeiro solo

Paulistano de origem e por opção, Caio Rodrigues Bars é daqueles músicos profissionais que não param. Está sempre em busca de novas maneiras de produzir e manifestar sua arte e criatividade.

Paralelamente às suas atividades na banda 5PRAStANtAS, ele decidiu lançar seu primeiro registro solo: o EP Soltas Doses de Eforia (E Algumas Mentiras Brancas). Para esse trabalho, ele une o rock que o destacou em cenário paulistano, com influências de MPB e Bossa Nova, mistura boa que encanta ouvidos atentos.

Depois de gravar 18 composições em estúdio, de onde saíram nove demos, Bars escolheu seis faixas “greatest hits” para integrar o EP, processo realizado por ele em parceria com Alexandre Fontanetti, que também fez a produção do disco. Resultado: uma estética sonora comum, mas cada uma das faixas de “Soltas Doses de Euforia” tem sua personalidade própria.

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Confira agora uma entrevista com o músico, exclusiva para o Divercidade:

Divercidade – Cidade onde nasceu e onde escolheu para viver e por que?

Caio Bars – Nasci, cresci e moro em São Paulo. Escolhi ficar em Sampa por sua diversidade cultural e, principalmente, pelas possibilidades profissionais na área artística/musical.

Como foi a descoberta do seu talento musical? Houve influência da família, dos amigos? Teve algum grande mestre?  

CB – Acho que foi aos 11 anos, quando comecei a me interessar pelas bandas do rock nacional. Na mesma época pedi para minha minha mãe me ensinar a tocar violão e logo comecei a arriscar minhas primeiras composições. Apesar da música estar sempre presente na minha casa (meus pais sempre foram grandes apreciadores e minha mãe até sabia o básico do violão), não houve uma influencia direta no meu interesse pela música. Acho que ele foi se criando naturalmente, conforme fui descobrindo cada vez mais os artístas que meus pais ouviam e os que estavam despontando na época.

Nesse começo de namoro com a música, havia um amigo dos meus pais em particular que era grande incentivador, chamado Wladmir Catanzaro. Além de tocar muito bem violão, ele tinha um acervo fantástico de LPs que eu e o seu filho (Gabriel Catanzaro, hoje baixista da banda Aláfia) ficávamos devorando aos finais de semana. Talvez o Wladmir tenha sido a primeira espécie de mestre musical que tive na vida. Depois disso, muitos outros tiveram esse papel para mim, como o Levy Miranda (fundador da mítica escola de música Groove) e especialmente a cantora e preparadora vocal Maria Alvim.

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Quais são suas influências musicais?

CB – Minhas influências sempre se misturaram entre a MPB (que aprendi a gostar com meus pais) e o Rock’And’Roll (que descobri na adolescência). Talvez por isso o rock nacional tenha grande presença no meu estilo musical, já que é uma espécie de meio-termo ou síntese entre esses dois estilos. Hoje me inspiro em artistas que também se enquadram nessa síntese, como o Cazuza, o Leoni e o Moska. Mas, além disso, fui influenciado de Jim Morrison a Zeca Baleiro, de Emílio Santiago a Freddie Mercury, e por aí vai!

Como foi o início de sua carreira? Poderia compartilhar alguma história de conquista? Alguma situação engraçada?

CB – Apesar de começar a tocar aos 11 anos, considero que minha “carreira” propriamente dita começou mesmo com o lançamento do 1º álbum da 5PRAStANtAS, o Outra Frequência, em 2011. Foi aí que comecei, aos poucos, a considerar que a música poderia ser realmente um caminho profissional.

Acho que minha minha maior conquista até agora é o lançamento do EP Soltas Doses De Euforia (E Algumas Mentiras Brancas), pois foi um trabalho totalmente pessoal onde eu mesmo produzi tudo que se relaciona a ele. Mas existem outros momentos, como ser campeão, com a 5PRAStANtAS, do Manifesto Rock Fest (um dos festivais de bandas novas mais conceituados de São Paulo) como melhor banda e melhor música autoral em 2008.

Houve também o Concurso de Composição promovido pelo Leoni em que fiquei em 2º lugar por apenas um voto (eram centenas de candidatos e um júri de alto nível que contava com Alvin L., Dudu Falcão, Fernando Anitelli, Paulo Rogério, Eduardo Borém, Sonekka e o próprio Leoni)!!! Foi o concurso mais disputado já feito pelo cantor.

“Ainda existe sim a ditadura da indústria musical através das FMs e dos programas populares de televisão. No Brasil, é histórica a cultura de ouvirmos apenas o que nos é enfiado ouvido abaixo, sem nunca criticar sua qualidade e nem procurarmos novidades.” – Caio Bars

Que som está ouvindo no momento? Que discos indicaria para seu fãs?

CB – No momento estou ouvindo alguns artistas novos que conheci recentemente e também bandas que tenho tocado no meu programa de rádio, Outra Frequência, da rádio USP. As inclusões mais recentes no meu iTunes (sim, eu ainda não migrei para o streaming) são: Lítera, Carolina Zingler, Marvins, Bulo e Valsa Binária, pra citar alguns. Tem muita coisa boa e nova rolando agora, e eu procuro tocar o maior número possível delas no programa.

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O que acha do momento pelo qual passa a música brasileira? As FMs ainda ditam quem faz sucesso ou as possibilidades de divulgação com a internet e redes sociais predominam? É um momento de mais liberdade? Como trabalha sua divulgação nesses veículos?

CB – Acho que é um momento de transição. Ainda existe sim a ditadura da indústria musical através das FMs e dos programas populares de televisão. No Brasil, é histórica a cultura de ouvirmos apenas o que nos é enfiado ouvido abaixo, sem nunca criticar sua qualidade e nem procurarmos novidades. Por isso o mercado dos covers tem um tamanho muito maior do que o do autoral. As pessoas estão acostumadas a ouvirem o que conhecem. Porém, acredito que as novas gerações estejam realmente quebrando esse paradigma e em alguns anos veremos uma mudança mais significativa nesse sentido. Temos sim um momento de mais liberdade criativa, mas ainda não temos um mercado que absorva e direcione toda essa produção de forma estável e madura. Mas estamos no processo.

Eu, como todos, utilizo das redes sociais para divulgar meu trabalho. É um meio interessante (principalmente para trabalhar a relação artista-fã) mas, como divulgação do trabalho em si, ainda são as mídias antigas (FM, TV, jornais e revistas) que geram maiores repercussões. No meio do caminho, os blogs são ótimos meios de divulgação para os independentes (que de independentes não tem nada, já que dependemos de muitas coisas para seguir na carreira).

Se tivesse que escolher, qual o grande artista de sua vida e por que? Um show inesquecível, onde e quando?

CB – Cara, que pergunta difícil! Acho que não conseguiria escolher um só! Meu primeiro ídolo mesmo foi o Humberto Gessinger, depois o Jim Morrison. Mas acho que, como artista, o que mais me influencia até hoje é o Cazuza. Agora, shows inesquecíveis tive vários, muitos deles aconteceram no Centro Cultural São Paulo, na sala Adoniran Barborsa. Lá sempre foi fantástico ver shows, por causa da proximidade com o artista que está se apresentando. Lá eu vi o Guilherme Arantes, Nenhum de Nós, Ira!, Rogério Skylab, entre outros, mas o melhor show que vi lá foi um do Biquini Cavadão, quando eles chamaram todo mundo para subir no palco e cantar junto, foi inesquecível. Teve também o show do Roger Waters no Pacaembu. Mas o único show no qual eu me emocionei a ponto de chorar foi o do Paul McCartney no estádio do Morumbi. Sir Paul é um fenômeno.

Fale um pouco sobre o seu primeiro trabalho solo. Como foi o processo de escolha do repertório?

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CB – Como a maioria dos primeiros trabalhos, a escolha do repertório passou por uma seleção que brinco de chamar de “greatest hits”, que são aquelas canções que já fazem algum sucesso quando apresentadas ao vivo. Mas outros dois fatores foram determinantes na escolha das seis canções. Um deles é que, nessa primeira aventura solo, eu gostaria de trabalhar arranjos e caminhos musicais diferentes dos que trilho com a 5PRAStANtAS.

Como sou, antes de tudo, um compositor, minha intenção era descobrir os outros potenciais das minhas criações, já que muitas delas não cabiam no estilo do rock’and’roll.

Esse EP foi divertido para mim no sentido em que pude explorar novas direções musicais e sentir quais caminhos me aguçam mais a vontade de seguir. O outro fator foi a troca com o produtor do EP, Alexandre Fontanetti, que me ajudou a descobrir quais canções mostravam-se mais interessantes de trabalharmos juntos naquele momento.

Onde os fãs podem conferir seu show? Quais sãos os próximos?

CB – Tenho retomado os contatos para shows agora no início de 2016. Pretendo seguir com a turnê do EP e espero que muito em breve os shows recomecem (inclusive shows online). Coloco sempre as datas no meu site (www.caiobars.com.br) e nas minhas redes sociais (especialmente a fanpage no Facebook).

Alguma informação bacana que queira compartilhar?

CB – Queria convidar a todos a conhecerem o EP “Soltas Doses De Euforia (E Algumas Mentiras Brancas)”. No meu site tem todos os links para ouvir na plataforma que gostarem mais! Convido também aos que gostarem do som a entrarem no fã-clube do facebook nesse link. Obrigado e um abraço a todos!

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