Entrevista exclusiva: “Faço aquilo que me satisfaz e que me emocione!”, diz Pedro Mariano

Ele nasceu em uma família de músicos. O pai, César Camargo Mariano, maestro. A mãe, ninguém menos do que umas das melhores intérpretes que o Brasil já teve e que imortalizou inúmeras músicas do nosso cancioneiro: Elis Regina! Isso sem contar os irmãos João Marcello e Maria Rita… Estou falando de Pedro Camargo Mariano, ou simplesmente, Pedro Mariano.

Tudo começou quando ele nasceu (ora pois!), pois o ambiente familiar respirava música. Mas seu caminho começou a ser trilhado mesmo na escola, com as bandas de colégio. Depois participar de festivais, graveou jingles de peças publicitárias, fez DEMOS para gravadoras… Ou seja, como ele mesmo diz, “plantou as sementes” dos frutos que colhe hoje. “Trabalho na música desde os 14 anos, mas conto meu começo profissional a partir dos 20, quando assinei meu primeiro contrato”, conta.

Pedro lançou recentemente seu oitavo trabalho, intitulado “8” e celebra um momento extremamente independente na sua carreira: desde a seleção de repertório, vendas, distribuição, divulgação, parte artística e tudo mais. E está curtindo muito a “onda” do novo trabalho, não por isso vê sua missão por encerrada. “Ainda tenho muitos projetos a fazer!” Ainda bem, Pedro. A música brasileira e nossos ouvidos agradecem.

Prestes a realizar a turnê “8” no SESC Vila Mariana, em São Paulo (com ingressos esgotados!), e no SESC Santo André, e pertinho de seu aniversário (dia 18/04), Pedro Mariano falou ao Divercidade sobre o início da carreira musical, sua trajetória como intérprete, o lançamento de sua produtora musical Nau, a fase independente de seu trabalho e sobre o futuro do CD no Brasil. Confira a entrevista exclusiva, agora!

1. Inevitável já na primeira pergunta: ser filho de e César Camargo Mariano e de ninguém menos que Elis Regina, uma das maiores intérpretes desse País, verdadeiro mito, influenciou o seu desejo por seguir a carreira de cantor e compositor? De que forma?

Pedro Mariano – Viver em uma casa onde a música era o prato principal influenciou tudo o que eu sou até hoje. A música faz parte da minha vida, do meu cotidiano. Estar presente em ensaios, gravações e shows desde pequeno foi determinante para que eu me apaixonasse por tudo isso. Me pergunto, às vezes, se seria possível que eu escolhesse outro caminho? Possível seria, mas muito pouco provável.

2. Gostaria de saber como foi o início de sua carreira musical, quais foram as dificuldade e como conseguiu vencer os obstáculos para chegar onde chegou? O que já fez na vida antes de viver de música?

PM – Sempre gosto de salientar que escoolher a carreira de músico não é algo que venha acompanhado de dificuldades, mas sim de muita dedicação. É um tipo de trabalho que tudo que você alcança é fruto de seu esforço pessoal. Seja na sua técnica, seja nos relacionamentos profissionais que fazem com que tudo se encaminhe. Ter nascido dentro de uma família de músicos me deu uma noção de como seria todo o trajeto até a consolidação da carreira, mas não significava que tudo sairia da mesma forma que meus pais.

Não existe uma fórmula! Comecei como todos que conheço na música: com minhas bandas de colégio, depois fui participar de festivais, gravei jingles de peças publicitárias, fiz DEMOS para gravadoras, e por aí vai. Depois de plantar um monte de sementes, você torce para colher os frutos, e comigo não foi diferente. Trabalho na música desde os 14 anos, mas conto meu começo profissional a partir dos 20, quando assinei meu primeiro contrato. Até os vinte fiz muitos jingles e até meus 16, 17 anos trabalhei de office-boy em uma produtora de vídeo e no estudio do meu pai como office-boy e assistente do estúdio.

3. Como chegou à definição de seu estilo musical? Posso dizer que a música que faz hoje é MPB moderna, que alia letras e melodias com arranjos elaborados mas sem fugir do POP?

PM – Não sei, realmente, como denominar meu estilo! Não penso nisso. Faço aquilo que me satisfaz e que me emocione. Muito do que estou ouvindo no momento acaba entrando no meu trabalho. Como intéprete, esse lado mais flexível é permitido. Me sinto como um ator da música e como tal, gosto de entrar em vários tipos de papel. Ou seja: o POP, o Rock, o Jazz e a MPB fazem parte do meu repertório de criação e de formação. Então eles entram na minha música sempre.

4. O seu mais recente CD intitulado “8” marca o início de sua fase independente como artista, pois o trabalho é totalmente realizado pelo seu selo Nau. Em que medida essa nova fase amplia seu contato com o público?

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PM – Essa mudança não amplia esse tipo de contato. Pelo menos não em um primeiro momento. Não ter a verba de uma grande companhia faz muita diferença. E fazer com que isso não reflita sobre os resultados junto ao público, acaba sendo o grande desafio. A mudança veio para que nós (eu e minha equipe) tivéssemos maior controle sobre o todo: vendas, distribuição, divulgação, parte artística e tudo mais. Sempre gostei de trabalhar assim e com o disco “Incondicional” surgiu a oportunidade de abrir o selo “Nau” e desde então temos controle de tudo. São apenas 3 anos efetivos de trabalho, mas pode ser que essas mudanças tragam novas energias e com isso o resultado final seja a ampliação de todo o trabalho. É o que queremos.

5. Esse novo formato, talvez mais intimista de “8” é uma linha que você pretende seguir, ou prefere deixar em aberto, e de acordo com momento, as novas músicas que forem “acontecendo”?

PM – Como disse, não fico pensando muito nisso. Quando começo a sentir a necessidade de dar um novo passo, começo a selecionar as músicas e a partir daí, tudo pode acontecer. Estou curtindo muito a “onda” que encontramos para o “8”. Mas ainda tenho muitos projetos para fazer.

6. Como ocorre a seleção do repertório de seus discos? Por falar nisso, como chega a um conceito do trabalho: pensa nisso antes ou a “cara” do CD vai acontecendo durante o processo criativo?

PM – Tudo acontece conforme vou fazendo. Claro que tem sempre uma idéia, mas as músicas surgem e tudo vai se formatando. Selecionar repertório é algo muito pessoal, cada um faz do seu jeito. Comigo a música tem que me ganhar de cara. Se tiver que ficar ouvindo muito, é sinal de ela não vai dar pé!

7. Como intérprete, costuma realizar regravações. Quando recebe ou descobre as músicas, se preocupa em ouvir o que já foi gravado ou procura imprimir a sua identidade e arriscar, de repente, ter proximidade com alguma gravação que possa ter acontecido antes?

PM – Desconsidero totalmente o que foi feito antes. Por isso a música tem que me ganhar logo, porque não tenho a intensão de ficar ouvindo ela por muito tempo. Já saio pensando no arranjo e trato de fazer algum esboço e colocar a voz logo, para ela ir ficando com a minha cara.

8. Que som está ouvindo no momento?

PM – Ouço de tudo um pouco. O som que tem vindo da Inglaterra tem feito mais a minha cabeça. Dos EUA, poucos nomes estão me impressionando. Alguns nomes que surgiram na internet como Bernhoft, Ole Borud e Dirty Loops são coisas refrescantes par cabeça. Deixam as idéias em ponto de bala. Mas ouço de tudo, e de preferência algo que me surpreenda.

9. Em tempos de troca de arquivos pela Internet, como deve ser o futuro do CD? Como o artista pode ser remunerado quando todo mundo copia gratuitamente suas músicas? Acha isso bom ou ruim?

PM – Acho ruim, a partir do momento que ninguém acha errado tomar posse de música, filmes e livros, enquanto gastam fortunas em smartphones, computadores e TVS enormes. Se tudo que queremos, devemos trabalhar duro, ganhar nosso dinheiro e, se tudo der certo, comprar nossos sonhos; por que não gastar esse suado dinheiro com cultura? Para mim, achar isso normal é falta de educação. O Estado olha e não faz nada, nas escolas ninguém faz nada, dentro de casa ninguém faz nada. Mas se alguém achar um jeito de conseguir combustível de graça, pode ser que o Estado se mecha! O CD vai acabar, isso é fato, mas só no Brasil que todos pensam que isso significa ter música de graça. No resto do mundo todos pensam em ter melhores MP3 players, e ter acesso a internet de quarta geração gratuita, para baixar suas músicas de forma PAGA, de sites especializados de qualquer lugar e com a melhor qualidade possível. Essa é a diferença.

Pedro Mariano

Jogo rápido:

– um filme: Trilogia “O Poderoso Chefão”

– uma música: “Aos Nossos Filhos”

– um livro: Biografia do Eric Clapton

– uma banda brasileira: Jota Quest

– um intérprete que faz você vibrar: Elis Regina

– um som internacional: Adele – “He Won’t Go”

– um show: Live At Last – Stevie Wonder

– um amor: a Vida

– São Paulo: …que lugar!!!

– Rio de Janeiro: …que visual!!!

– uma cidade do mundo: Nova York

– família: o bem mais precioso, merecedor de todas as atenções.

– amigos: poucos e bons!

– adoção de crianças: Admiro

– adoção por casais gays: um direito

– união civil entre pessoas do mesmo sexo: a favor

– tempo livre: bater papo com amigos (os poucos e bons)

– romantismo: uma forma de ver a vida

– irrita muito: incompetência

– moda: cada um faz a sua

– provocação: não dou bola

– uma frase ou pensamento para encerrar essa conversa… A vida está aí para ser vivida. Faça isso de forma plena, sem arrependimentos. Mas se por uma caso se arrepender de algo, não tenha medo de voltar atrás, nem de pedir desculpas!

– > Siga o Pedro Mariano (@marianopedro) no Twitter, aqui.

– > Acesse o site oficial do cantor para conferir a agenda atualizada de shows, aqui.

COMENTÁRIOS

    Digo nada desse cara. Muito talentoso!!! O Pedro canta o amor com alegria e não compor não o deixa a baixo de nenhum grande artista, Pedro Mariano interpreta como poucos e supre os grandes compositores que assim os críticos dizem e que acabam perdendo o valor de cantar o simples com verdade por quererem fazer suas letras eletizadas e cantam sem expressão. Obrigado Pedro Mariano, André e Patrícia pela entrevista. 

    Entrevista sensacional com um dos melhores cantores da MPB atual. Parabéns, Dré. Amei! <3

      Que bom que gostou, Fefinha. A próxima entrevista será publicada na sexta, dia 20/04. É com um cantor e compositor da nova geração muito bacana. Acompanhe! Bjs, 

    Sou suspeita para falar de qualquer um dessa família, conheci Pedro Mariado na adolescência e amei. Claro!
    Música que me fez curtir…
    ” Tá todo mundo”