Santa Catarina precisa. O NE brasileiro sempre precisou!

Se você passear em meu blog vair ler um texto sobre o nosso otimismo exacerbado, que seria fruto da ausência de gerras e tragédias naturais. Sim, guerras como na Europa, não. Só as civis, nas grandes cidades, como já citei, o que não é pouco. Tragédias naturais como os ciclones e furacões que assolam os Estados Unidos ou os terremotos japoneses, também não. Mas, tragédias naturais temos sim. A seca no Nordeste brasileiro e as enchentes que devastaram Santa Catarina (parecem ser periódicas, pois algo semelhante ocorreu na década de 80), recebendo grande atenção da mídia. Vou refletir um pouco sobre a situação calamitosa em Santa Catarina, que é o assunto do momento.

Não é para menos: 103 mil mortos (até o momento deste post), 78 mil desabrigados, gente que perdeu família, casa, móveis, animais de estimação, filhos, quase tudo. De repente, o mundo veio ao chão. E a situação precária de viver em abrigos públicos, dependendo de ajuda humanitária e solidariedade humana para sobreviver. Quando essas pessoas voltarão a ter sua dignidade de cidadão? O prefeito de Blumenau – João Paulo Kleinubing – esteve ontem ao vivo com o William Bonner e afirmou que o dinheiro público reconstruirá as casas das pessoas. Mas, isso pode levar no mínimo um ano, ou mais… Até lá, abrigos, hotéis, casas alugadas… Não é nada fácil para quem vive esse momento.

A dimensão da tragédia justifica a exposição na mídia. Merece a onda de solidariedade que atingiu pessoas e empresas do Brasil inteiro, com doações e indicações de onde depositar uma graninha para ajudar a defesa civil e as entidades de ajuda humanitária. Até pilotos de Fórmula 1, como o Felipe Massa que organizou o Desafio Internacional das Estrelas, um campeonato de Kart em Santa Catarina, doou seu macacão para leilão. Outro foi o Barichelo. Gesto importante, sem dúvida!

O que vou falar agora é difícil de ouvir: tudo muito bom, diferente do abrigo do livro/filme “Ensaio sobre a Cegueira”, do Saramago (meu post anterior), aqui as pessoas mostram que a condição humana ainda não se perdeu. Só que há um limite entre ajudar e aproveitar a situação para fazer o “papel do bonzinho”. Alías, esse papel está muito reavivado nessa época do ano em função do clima de filantropia natalino. E, em tempos de responsabilidade social, se aproveita qualquer tragédia humana para aparecer um pouco mais e ter a marca em evidência. Falo isso por um simples motivo: há tragédias naturais quase permanentes no Brasil com a seca no Nordeste brasileiro. Mas, esta não recebe a devida atenção da mídia, das pessoas, das empresas. O que acontece? Não está em evidência? Não há oportunidade de aparecer? Questão controversa, porque pode parecer que sou contra a ajuda a Santa Catarina, longe disso. Só quero provocar a reflexão sobre outras necessidades do país que ficam sempre em segundo plano. No NE, pessoas também perdem tudo, não em função da água, aliás, pela ausência dela. Quer um dado? A seca que atinge o Nordeste já levou 291 municípios de sete Estados da região a decretar situação de emergência. E para eles, resta esperar a boa vontade do governo?

Uma prova viva (ou morta!) do que estou falando. Alguém lembra do programa Fome Zero? Acho que nem o governo.

Vai uma piada: o papa bento alguma coisa falou diretamente do Estado do Vaticano que está presente espiritualmente com as vítimas das enchentes de Santa Catarina. Buemba!!! – como diz o Simão. Seu papa, poderia ter ficado sem essa!

>> Veja matéria do Jornal Hoje sobre a seca do Ne, aqui.

E para não dizer que não falei das flores, veja como ajudar:

– Vítimas da enchente de Santa Catarina, na matéria da Folha Online, aqui.

– Vítimas da seca no NE brasileiro, no site Amigos do Bem, que traz uma cronologia da tragédia na região.

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